O anúncio de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) e a previsão de fechamento de cerca de mil unidades dos Correios em todo o Brasil acenderam o alerta entre trabalhadores e entidades sindicais da categoria. As medidas fazem parte do Plano de Reestruturação 2025-2027 da estatal e vêm sendo apresentadas pela direção da empresa como alternativa para reduzir despesas e enfrentar a crise financeira enfrentada pelos Correios.
Segundo reportagem publicada pela VEJA, a direção da empresa prepara uma nova etapa do PDV após a primeira rodada registrar adesão abaixo da meta esperada. A estimativa da gestão é reduzir significativamente o quadro de trabalhadores nos próximos anos.
Além do incentivo à saída de empregados, o plano prevê o fechamento de agências, centros de distribuição e unidades operacionais em diversas regiões do país. A medida preocupa trabalhadores e sindicatos por representar mais um passo no processo de enfraquecimento da empresa pública e de precarização das condições de trabalho.
Para o secretário-geral do SINTECT-GO, Tiago Henrique, o PDV prejudica diretamente o funcionamento das unidades e aumenta a sobrecarga de trabalho dos empregados. “O PDV da empresa vem retirando trabalhadores o tempo todo, mas, em contrapartida, ninguém é chamado para repor essas vagas. Isso faz com que muitas unidades, principalmente os CDDs e agências do interior do estado, acabem funcionando de forma precária, com trabalhadores precisando dar apoio em uma ou duas unidades diferentes durante a semana porque não há efetivo suficiente para manter todas abertas”, afirmou o dirigente sindical.
Além disso, Tiago Henrique falou da sequência de programas de desligamento de trabalhadores enquanto candidatos aprovados em concurso público seguem aguardando convocação. “Somos contra esse modelo de PDV permanente, um atrás do outro, enquanto existe um concurso público e centenas de trabalhadores esperando para serem chamados”, completou.
O secretário-geral também criticou a proposta de fechamento de agências em Goiás e afirmou que muitas decisões estão sendo tomadas sem critérios técnicos claros. “São mais de mil agências que a empresa planeja fechar no Brasil. Em Goiás já existe uma lista com 13 unidades e algumas já estão até fechadas. Há cidades que ficarão completamente desassistidas e outras em que sequer existe justificativa plausível para o encerramento das atividades”, destacou.
Tiago Henrique citou ainda o caso da agência de Campestre de Goiás, onde a Prefeitura cede gratuitamente o imóvel utilizado pelos Correios. “Em Campestre, a Prefeitura fornece o espaço sem custo para funcionamento da agência. Mesmo assim, os Correios querem fechar a unidade e ainda repassar para a Prefeitura a responsabilidade pela distribuição e postagem. Não existe lógica em deixar de utilizar um imóvel cedido gratuitamente para depois precisar pagar outro modelo de operação. Isso demonstra uma reestruturação sem estudo técnico adequado”, afirmou.
O dirigente alertou ainda que o fechamento de unidades, somado ao PDV, coloca em risco a universalização dos serviços postais, obrigação prevista pela Constituição Federal.“O Governo Federal determina que os Correios garantam a universalização dos serviços postais. Com fechamento de agências e redução de trabalhadores, a empresa terá ainda mais dificuldade para cumprir esse papel social, principalmente nas cidades menores e regiões mais afastadas”, finalizou.
Para o SINTECT-GO, a solução para os problemas financeiros dos Correios não pode ocorrer às custas dos trabalhadores e da redução da presença da empresa junto à população brasileira. O sindicato avalia que o fechamento de unidades afeta diretamente a qualidade dos serviços postais, aumenta a sobrecarga de trabalho dos empregados e prejudica milhares de pessoas que dependem diariamente dos Correios.
Diante desse cenário, o SINTECT-GO já estuda, nas esferas jurídica e administrativa, medidas para garantir que os trabalhadores não sejam prejudicados por esse processo de reestruturação. O sindicato atua para defender os direitos da categoria, combater o fechamento de unidades e impedir que os empregados paguem a conta de uma crise que não foi criada pelos trabalhadores.
A entidade reforça que qualquer mudança nos Correios precisa acontecer com diálogo, transparência, valorização da categoria e preservação do papel público e social da empresa em todo o país.
