Trabalhadores dos Correios voltam a ser alvo de ataques nas redes sociais; agora, mulheres ecetistas têm imagem explorada por perfis falsos

Os trabalhadores dos Correios convivem há anos com uma crescente onda de ataques nas redes sociais. Comentários ofensivos, difamações, discursos de ódio e desinformação passaram a fazer parte da rotina de quem apenas exerce sua profissão e presta um serviço essencial à população brasileira.

Sempre que um trabalhador ou dirigente sindical aparece em vídeos ou reportagens, não é raro que as publicações sejam tomadas por insultos e acusações infundadas. Em muitos casos, as críticas deixam de ser direcionadas à empresa ou às políticas públicas e passam a atingir diretamente os empregados, que são tratados como responsáveis por problemas que fogem completamente ao seu controle.

Agora, essa violência ganha um novo e preocupante capítulo.

Recentemente, veio à tona a existência de um perfil falso em uma rede social que utiliza a imagem de uma trabalhadora dos Correios sem autorização, associando sua identidade a publicações de caráter sensual e a mensagens que sexualizam a profissão. Além de atingir diretamente a honra e a imagem da vítima, esse tipo de prática contribui para reforçar estereótipos e expõe toda a categoria, especialmente as mulheres ecetistas, a situações de constrangimento e assédio.

É fundamental lembrar que trabalhadores dos Correios são cidadãos, pais, mães, filhos e filhas que saem diariamente de casa para cumprir sua jornada de trabalho. Por isso, eles não podem ser transformados em alvo de campanhas de ódio, humilhação, perseguição ou exploração de sua imagem apenas por exercerem uma função pública de grande relevância social.

A criação de perfis falsos, o uso indevido da imagem de trabalhadores e a divulgação de conteúdos destinados a ridicularizar ou sexualizar profissionais podem gerar consequências jurídicas, tanto na esfera cível quanto criminal. Dependendo das circunstâncias, essas práticas podem configurar violação ao direito de imagem, crimes contra a honra, falsa identidade e outras infrações previstas na legislação brasileira.

O caso também chama a atenção para outro desafio dos tempos atuais: o avanço da inteligência artificial e das ferramentas de manipulação de imagens. Hoje, é possível criar fotografias extremamente realistas ou utilizar o rosto de pessoas reais para produzir conteúdos falsos sem seu conhecimento ou autorização. Em muitos casos, a vítima sequer sabe que sua imagem está sendo utilizada para criar perfis falsos ou associada a conteúdos de cunho sexual, ofensivo ou difamatório.

Independentemente da tecnologia utilizada, o resultado é o mesmo: trabalhadores e trabalhadoras têm sua dignidade violada, sua reputação colocada em risco e podem sofrer impactos em sua vida pessoal, familiar e profissional.

O SINTECT-GO repudia qualquer forma de violência, assédio ou exposição indevida contra trabalhadores e trabalhadoras dos Correios. Divergências políticas, críticas à empresa ou opiniões sobre sua gestão jamais podem servir de justificativa para ataques pessoais, difamação ou utilização da imagem de empregados sem consentimento.

Além disso, os trabalhadores dos Correios não podem continuar sendo tratados como inimigos ou transformados em alvo de ataques nas redes sociais. Eles são profissionais que desempenham uma atividade essencial para milhões de brasileiros e merecem respeito, independentemente do cenário político ou das opiniões de cada cidadão.

Diante disso, o Sindicato continuará acompanhando situações dessa natureza e orienta todos os trabalhadores que forem vítimas de perfis falsos, uso indevido de imagem ou ataques à honra a reunir provas, denunciar as contas às plataformas digitais e buscar orientação jurídica para a adoção das medidas cabíveis.