Os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios em Goiás enfrentam um conjunto de dificuldades que afeta as condições de trabalho, a qualidade do serviço prestado e a própria saúde. A redução do efetivo, a falta de materiais, os problemas de infraestrutura e a sobrecarga nas unidades fazem parte de uma realidade que precisa ser enfrentada pela empresa.
A categoria reconhece que os Correios atravessam dificuldades financeiras e operacionais, mas entende que a solução não pode ser transferir o peso dessa crise para quem está na linha de frente. É preciso recompor o efetivo, garantir condições adequadas de trabalho e assegurar que os investimentos cheguem também às unidades do interior.
1. MENOS GENTE, MESMO SERVIÇO
Embora o fluxo de objetos postais tenha diminuído em alguns setores, a redução do efetivo foi ainda maior. Saídas por PDV, aposentadorias e exonerações deixaram postos de trabalho sem reposição, enquanto a ausência de novas contratações mantém a sobrecarga nas unidades.
O último concurso nacional havia sido realizado em 2011. Em 2024, a empresa realizou um novo concurso, com 3.511 vagas, mas os aprovados ainda não foram convocados. Na prática, a recomposição do quadro continua sem atender às necessidades da operação.
Há distritos que antes eram atendidos por três carteiros e hoje contam com apenas um. Ao mesmo tempo, o setor de objetos especiais continua demandando apoio e concentrando carga de trabalho.
O resultado é sobrecarga, aumento do ritmo de trabalho e dificuldade para cumprir as atividades com segurança e qualidade.
2. O TRABALHADOR NÃO É OUVIDO, SÓ COBRADO
As decisões sobre a operação são tomadas de cima para baixo, sem que as condições reais de trabalho sejam consideradas de forma adequada. Nos CDDs, CEEs e Agências, os trabalhadores precisam lidar diariamente com a falta de colegas, equipamentos quebrados, dificuldades de transporte e condições climáticas adversas. Ainda assim, a cobrança por resultados permanece.
Portanto, é necessário que a empresa escute quem conhece a operação na prática e considere as condições de trabalho antes de estabelecer metas e procedimentos.
3. ROTEIRIZAÇÃO E AR DIGITAL: MAIS TEMPO GASTO
As decisões sobre a operação são tomadas de cima para baixo, sem que as condições reais de trabalho sejam consideradas de forma adequada. Nos CDDs, CEEs e Agências, os trabalhadores precisam lidar diariamente com falta de colegas, equipamentos quebrados, dificuldades de transporte e condições climáticas adversas. Ainda assim, a cobrança por resultados permanece.
Portanto, é necessário que a empresa escute quem conhece a operação na prática e considere as condições de trabalho antes de estabelecer metas e procedimentos.
3. ROTEIRIZAÇÃO E AR DIGITAL: MAIS TEMPO GASTO
A roteirização dos distritos nem sempre considera a realidade das ruas e das regiões atendidas. Somada a isso, a exigência de registrar a assinatura dos Avisos de Recebimento (ARs) pelo smartphone tem acrescentado etapas ao trabalho externo.
O procedimento envolve abrir o aplicativo, aguardar o sinal, coletar dados, assinatura e sincronizar. Quando o sistema apresenta falhas, o tempo gasto aumenta ainda mais. Ou seja, em um distrito com 30 ARs, por exemplo, um acréscimo de dois a três minutos por objeto pode representar até 90 minutos adicionais de trabalho. A essa demora se soma à insegurança relatada pelos carteiros. Eles têm dúvidas sobre os procedimentos e se o novo sistema trará segurança jurídica, pois sem a utilização das fotos não haveria comprovação robusta e o trabalhador poderia ser questionado depois se a entrega foi ou não realizada.
Questionam também como agir se o cliente não quiser assinar, já que agora é obrigatório informar nome completo, nº do documento e assinatura na tela. Situação recorrente é a entrega para crianças ou idosos que geralmente não apresentam documento.
Apontam ainda que o campo para assinar na tela é muito pequeno, difícil de usar, ainda mais para idosos, e gera uma assinatura muito ilegível, muito pior que antes no papel, enquanto o campo para recuperar a entrega é bem maior.
4. FALTA O BÁSICO NAS UNIDADES
Trabalhadores relatam dificuldades com a falta de materiais básicos de higiene e de trabalho em unidades dos Correios em Goiás. Entre os problemas apontados estão a falta de papel toalha, sabonete, copos descartáveis, materiais de limpeza e carimbos. Também são relatadas dificuldades no fornecimento de EPIs, como botas, capacetes, luvas e protetores.
A falta de insumos para venda e expedição, como envelopes, caixas, fitas e formulários, também prejudica o atendimento ao público. Como exigem produtividade e qualidade no serviço, se falta o básico para a execução das atividades?
5. CALOR EXTREMO E FALTA DE ESTRUTURA AGRAVAM AS CONDIÇÕES DE TRABALHO
As altas temperaturas e a baixa umidade do ar, características do período de estiagem em Goiás, agravam as condições de trabalho tanto nas unidades quanto nas atividades externas. Embora esse período ocorra todos os anos, entre agosto e novembro, os trabalhadores relatam que as medidas de prevenção não são adotadas de forma suficiente.
Dentro das unidades há aparelhos de ar-condicionado antigos, com problemas de funcionamento ou que aguardam manutenção por longos períodos. Em diversos locais, os equipamentos não resfriam adequadamente os ambientes, apresentam vazamentos ou ruídos excessivos. O calor contribui para o desconforto, a fadiga e a dificuldade de concentração, além de agravar as condições de quem permanece muitas horas em ambientes internos.
Na atividade externa, carteiros e motoristas enfrentam sol forte, baixa umidade e asfalto quente durante a jornada. A categoria também aponta dificuldades no fornecimento de itens de proteção e hidratação, como protetor solar, boné com proteção UV, garrafa térmica e soro de reidratação oral. Em alguns casos, trabalhadores precisam retornar à unidade para realizar novas saídas, inclusive nos horários de maior calor, entre 12h e 15h.
A empresa precisa garantir ambientes de trabalho adequados, com manutenção preventiva e substituição dos equipamentos obsoletos, além de adotar medidas de proteção para quem trabalha na rua.
Por isso, a proposta da categoria é que, durante o período crítico, a empresa antecipe a triagem e priorize a entrega no período da manhã, com início da atividade externa às 7h e encerramento até as 13h, sempre considerando as condições locais e a segurança dos trabalhadores.
6. EXCESSO DE CHAMAMENTO E DOBRAS CRUZADAS
O excesso de chamamentos para prestação de serviços em outras unidades, especialmente no setor de objetos especiais, tem provocado dificuldades na organização dos distritos.
Quando um carteiro é deslocado para outra unidade, o distrito de origem pode ficar descoberto. Ao mesmo tempo, outro trabalhador é deslocado para realizar a dobra, muitas vezes sem conhecer adequadamente a região, as ruas e as características do atendimento.
Essa dinâmica pode gerar atrasos, encomendas devolvidas, reclamações de clientes e aumento da jornada.
7. RISCO FÍSICO CONSTANTE: CÃES E AGRESSÕES
Os trabalhadores que atuam na entrega externa enfrentam diariamente riscos relacionados a cães soltos, acidentes e situações de violência. Além dos ataques de animais, há relatos de ameaças verbais, tentativas de agressão física e perseguições por parte de clientes insatisfeitos com atrasos ou com a ausência no momento da entrega.
Nem sempre o carteiro, que é o trabalhador que representa a empresa na porta do cliente, conta com o suporte necessário para enfrentar essas situações.
Por isso, é fundamental garantir orientação, prevenção e apoio aos trabalhadores em casos de acidentes, ataques de animais e agressões.
8. A EMPRESA TEM DIFICULDADES, MAS O CULPADO NÃO É O EMPREGADO
Os trabalhadores reconhecem que os Correios enfrentam dificuldades financeiras e operacionais, mas não aceitam que a responsabilidade por esses problemas seja transferida para quem executa o serviço.
Não foram os trabalhadores que decidiram fechar unidades, reduzir investimentos ou estabelecer políticas de preços. São eles que mantêm a operação funcionando diariamente, mesmo diante das dificuldades.
A recuperação da empresa precisa passar por planejamento, investimento e valorização dos trabalhadores, e não pela precarização das condições de trabalho.
9. SAÚDE: ASSISTÊNCIA MÉDICA PRECISA CHEGAR A TODOS
A assistência à saúde é uma das principais preocupações dos trabalhadores dos Correios em Goiás, especialmente diante das dificuldades enfrentadas no atendimento médico e odontológico.
O convênio firmado pela empresa com a Unimed trouxe algum alívio para os trabalhadores da capital, ao ampliar as possibilidades de atendimento hospitalar e odontológico. No entanto, a cobertura não alcança os trabalhadores do interior da mesma forma, o que mantém uma desigualdade importante no acesso à assistência.
Na prática, trabalhadores que vivem fora de Goiânia e de outras cidades atendidas pelo convênio continuam enfrentando dificuldades para conseguir consultas, exames e atendimentos especializados. Em muitos casos, precisam se deslocar para outras cidades em busca de atendimento, o que representa custos, tempo de viagem e dificuldades adicionais para quem já enfrenta problemas de saúde.
Essa situação é ainda mais grave porque os trabalhadores contribuem para o custeio da assistência médica, mas nem todos conseguem usufruir do atendimento de maneira adequada.
A categoria defende que a empresa garanta uma assistência à saúde que considere as necessidades de todos os trabalhadores, independentemente de onde estejam lotados. Afinal, não basta oferecer um convênio: é preciso assegurar acesso efetivo à assistência médica e odontológica em todo o estado de Goiás.
O QUE SOLICITAMOS DE FORMA IMEDIATA
- Convocação dos concursados e recomposição urgente do efetivo em Goiás.
- Fim das dobras cruzadas sem planejamento e dos deslocamentos compulsórios entre unidades.
- Fim da segunda e terceira saídas no período de calor extremo, com adoção de horário matutino durante a estiagem e planejamento preventivo anual.
- Garantia de assistência à saúde para todos os trabalhadores, incluindo os lotados no interior.
- Fornecimento de Kit Saúde de hidratação, com protetor solar, soro, garrafa térmica e boné com proteção UV.
- Troca emergencial de ares-condicionados obsoletos e manutenção adequada dos equipamentos.
- Garantia de materiais básicos de higiene e EPIs nas unidades.
- Simplificação do procedimento de AR, evitando que a burocracia digital prejudique a entrega.
- Abastecimento regular de insumos de trabalho, como carimbos, envelopes, caixas, fitas e formulários.
