O SINTECT-GO repudia a reportagem exibida pelo Jornal Nacional no dia 1º de junho de 2026, que abordou o resultado financeiro dos Correios de forma superficial e descontextualizada, reforçando uma narrativa que ignora os reais desafios enfrentados pela empresa pública e pelos seus trabalhadores.
Ao tratar exclusivamente do prejuízo registrado pela estatal, a matéria deixa de apresentar à sociedade fatores fundamentais para compreender a atual situação dos Correios. Não se pode analisar os números da empresa sem considerar anos de retirada de direitos, programas sucessivos de demissão voluntária (PDVs), redução do quadro de pessoal, fechamento de unidades e falta de investimentos estratégicos em tecnologia, inovação e expansão dos serviços.
Enquanto grandes empresas do setor logístico e do comércio eletrônico investiram fortemente em infraestrutura, plataformas digitais e soluções integradas durante a pandemia, os Correios chegaram tardiamente a esse processo de modernização. A estatal perdeu espaço em um mercado cada vez mais competitivo, sem receber os investimentos necessários para enfrentar a ascensão de gigantes privados da logística e do comércio eletrônico.
A reportagem também ignora uma transformação importante ocorrida ao longo dos últimos anos: a redução gradual das atividades que historicamente garantiam receitas significativas aos Correios. Com a digitalização dos serviços, milhões de boletos, contas de água, energia elétrica, telefonia e outros documentos deixaram de ser enviados fisicamente, reduzindo uma importante fonte de arrecadação da empresa. Trata-se de uma mudança estrutural do mercado que afeta não apenas os Correios, mas todo o setor postal no mundo.
Além disso, a matéria desconsidera que a empresa atua sob crescente pressão concorrencial. Plataformas privadas passaram a desenvolver suas próprias estruturas logísticas, ampliando sua participação no mercado de encomendas e reduzindo o espaço historicamente ocupado pelos Correios. Ainda assim, a estatal continua sendo responsável por garantir a integração nacional e a prestação de serviços em localidades onde o setor privado não demonstra interesse econômico.
É importante lembrar que uma empresa enfraquecida ao longo de décadas não se recupera da noite para o dia. A reconstrução dos Correios exige planejamento, investimentos, valorização dos trabalhadores e fortalecimento da sua capacidade operacional. Não existe solução mágica para problemas que se acumularam durante muitos anos.
A reportagem também deixa de esclarecer que parte relevante do resultado negativo está associada ao aumento das despesas financeiras decorrentes de empréstimos contratados pela empresa. Em vez de explicar as razões que levaram os Correios a buscar crédito para manter suas operações e realizar investimentos necessários, a matéria apresenta o prejuízo de forma isolada, contribuindo para uma interpretação simplista e equivocada da realidade da estatal.
O SINTECT-GO também lamenta que o Jornal Nacional tenha optado por não ouvir representantes dos trabalhadores, sindicatos ou federações da categoria. Ao apresentar apenas uma visão focada nos resultados financeiros, a reportagem exclui aqueles que conhecem a realidade da empresa, vivenciam diariamente seus desafios e têm propostas concretas para sua recuperação.
Os trabalhadores dos Correios não podem ser responsabilizados por decisões administrativas, pela falta de investimentos e pelas transformações do mercado postal. Pelo contrário: são eles que mantêm a empresa funcionando, mesmo diante da sobrecarga de trabalho, da redução do efetivo e das dificuldades enfrentadas em todo o país.
O SINTECT-GO reafirma seu compromisso com a defesa dos Correios públicos, fortes e capazes de cumprir sua função social. Também alerta a sociedade para a necessidade de uma análise séria e equilibrada sobre o futuro da empresa, sem narrativas que sirvam apenas para justificar projetos de privatização que já demonstraram, em diversas partes do mundo, resultados negativos para trabalhadores e para a população.
Diretoria do SINTECT-GO
Sindicato dos Trabalhadores nos Correios e Telégrafos no Estado de Goiás
