O secretário-geral do SINTECT-GO, Tiago Henrique, alertou, em entrevista para a Rádio Caraíba FM, para a grave situação enfrentada pela empresa pública. Na entrevista, ele explicou que os Correios passam por um momento de reestruturação financeira, com queda no volume de encomendas, concorrência desleal de empresas privadas e déficit de pessoal que prejudica a ampliação dos serviços, especialmente nas cidades do interior.
Segundo Tiago, o projeto de ampliação do cepeamento, processo que cria novos códigos postais para permitir a entrega domiciliar em mais bairros e distritos, precisou ser colocado em segundo plano devido à crise financeira.
“A carga de encomendas da empresa caiu muito. Depois da pandemia, a concorrência entrou de forma desleal e hoje perdemos boa parte do mercado que tínhamos”, explicou. “Por isso, o projeto de ampliar o cepeamento e as entregas está suspenso até a empresa se equilibrar financeiramente.”
Também explicou que a mudança de endereçamento e dos CEPs das residências não depende só dos Correios, mas de um trabalho em conjunto com a prefeitura da cidade. “Essa comunicação é feita pelos Correios com a prefeitura, e cabe à prefeitura repassar essas informações para órgãos como a Saneago, a Equatorial e também à população. O problema é que isso nem sempre acontece de forma eficiente. Já tivemos casos de mudança de CEP e até de endereçamento, mas a população costuma ter uma resistência natural a essas alterações. As pessoas criam um apego ao CEP antigo, ao endereço antigo, e muitas vezes não querem mudar”.
O dirigente sindical destacou que o último concurso público para carteiros e atendentes comerciais ocorreu em 2011, e desde então o quadro de funcionários vem diminuindo com aposentadorias e falta de reposição.
“O trabalhador dos Correios envelheceu. O último concurso foi em 2011, e mesmo com o certame homologado no ano passado, as contratações foram suspensas por causa da situação financeira da empresa. Hoje há uma comissão de aprovados aguardando para entrar e nós cobramos do novo presidente da estatal a convocação desses trabalhadores. Os Correios precisam de gente nova para voltar a crescer.”
Tiago Henrique ressaltou que os Correios vêm investindo em modernização, automatizando parte do processo de tratamento de encomendas, embora ainda tenham “muito caminho a percorrer” para alcançar o nível tecnológico das multinacionais.
Função social e importância estratégica
Além do serviço comercial, Tiago lembrou que os Correios cumprem uma função social essencial no país, atuando em programas do governo federal e em ações humanitárias.
“É importante frisar para a população, porque muitas vezes a pessoa olha só a questão de entrega de encomendas.Os Correios têm um fim social que é muito grande e hoje está nos principais programas do governo federal, distribuição de vacinas, urnas eletrônicas, provas do Enem, em caso de catástrofes, como foi no Rio Grande do Sul. Os Correios têm um trabalho da universalização postal, que é fazer a entrega acontecer por todo o mundo”, afirma.
Privatização ainda ameaça
Tiago também alertou para projetos em tramitação no Congresso Nacional que ameaçam o caráter público da estatal e lembrou que o governo Lula arquivou novamente o projeto de privatização, mas destacou que a ameaça continua viva.
“A empresa está em todos os 5.570 municípios do país, muitos deles onde as empresas privadas não querem chegar. O nosso papel é garantir que os Correios continuem públicos, prestando um serviço social de qualidade à população”, aponta.
Confira a entrevista completa em: https://www.youtube.com/live/NoOpnWDVerU
