O Sindicato dos Trabalhadores nos Correios em Goiás manifesta repúdio à forma como o Jornal Nacional abordou a situação da ECT em reportagem exibida no dia 30 de março de 2026.
A matéria apresenta a atual situação dos Correios como uma “crise histórica”, mas omite elementos fundamentais para a compreensão do problema. Ou seja, não há qualquer contextualização sobre o processo de sucateamento acumulado ao longo dos últimos anos, marcado por cortes de investimentos, redução do quadro de trabalhadores, fechamento de unidades e precarização das condições de trabalho.
Dessa forma, ao destacar a baixa adesão ao Programa de Demissão Voluntária (PDV), a reportagem reforça uma lógica exclusivamente financeira, ignorando os impactos diretos dessa política sobre o funcionamento da empresa. Sem falar, que fez isso sem explicar que a redução do efetivo compromete a qualidade dos serviços prestados à população e aumenta a sobrecarga dos trabalhadores, que já enfrentam condições adversas em diversas regiões do país.
Outro ponto grave é a ausência de debate sobre o papel social dos Correios. A empresa não pode ser analisada apenas sob a ótica do lucro, afinal, trata-se de um serviço público essencial. Hoje a Empresa é responsável por garantir a integração nacional e o atendimento a milhões de brasileiros, especialmente em localidades onde a iniciativa privada não atua.
Isso sem falar que a narrativa do Telejornal pautou apenas a “viabilidade” da Empresa baseada apenas em incentivos fiscais de curto prazo. Enquanto exige eficiência máxima de um lado, se aplaude o esvaziamento do quadro funcional. Dessa forma, o “Jornal Nacional” foi contraditório ao apontar o dedo para uma suposta “ineficiência”, mas não mostrou que ela é fruto direto da falta de concursos e do desmonte proposital dos últimos anos.
A reportagem também falha ao não apresentar dados históricos relevantes. Durante anos, os Correios foram uma empresa superavitária, chegando a repassar lucros à União. Portanto, o atual cenário não pode ser analisado sem considerar decisões políticas que contribuíram para o enfraquecimento da estatal, incluindo a venda de ativos e a falta de investimentos estruturais.
Também causa preocupação o fato de a matéria dar espaço apenas a economistas que defendem a privatização como “única solução”, sem qualquer contraponto. Não ouviu o outro lado, não ouviu trabalhadores.
É importante ressaltar que a ausência de pluralidade no debate compromete a qualidade da informação e induz a população a uma visão distorcida da realidade. Experiências internacionais demonstram que a privatização de serviços postais pode resultar em aumento de tarifas, redução da cobertura e piora no atendimento, especialmente nas regiões mais vulneráveis.
Ao ignorar esses aspectos, a cobertura desinforma a sociedade e desconsidera a realidade vivida pelos trabalhadores e pela população que depende dos serviços dos Correios.
O SINTECT-GO entende e concorda que a Empresa passa sim por uma crise, mas que uma solução deve ser construída levando em conta a situação dos trabalhadores e o papel social da Empresa. Neste momento, o país precisa da universalização do serviço, e não da entrega do patrimônio público ao setor privado.
Portanto, continuamos na luta por investimentos, valorização dos trabalhadores e melhoria dos serviços prestados à população.
Matéria veiculada no Jornal Nacional aqui.
SINTECT-GO
